Pular para o conteúdo principal

O Mar me Seduzirá






O mar me seduzirá
Será o movimento das ondas
Na sua certeza em direção à rocha para o choque esplêndido
Gotas, sal, som, maresia
Será então o azul profundo
Logo após o mergulho em direção à vida 
Tão abundante sob seu manto
Explodindo em formas e cores...
Turquesa no Sinai, correndo forte em Cozumel
Falando minha língua em Noronha
Ou agitando a superfície em Cocos

O mar me seduzirá
No calor das águas rasas de Coqueirinho
Ou no abraço gelado da Escalvada
Nas pedras caídas do céu, lá no Parcel do Coronel 
E nas baleias que em setembro encontro
A caminho de Abrir os Olhos

O mar me seduzirá
Com sua mansidão dourada nos fins de tarde da Ilha do Boi
E então terei nascido, crescido, brincado, nadado, amado
E, principalmente, mergulhado
Nesse imenso território de amor azul
Para nunca mais o perder de vista
Até o dia de o perder, olhando para ele





Comentários

  1. O poeta Ney homenageando o mar, este que muitas vezes é, de certa forma, sua morada. Lindo!
    Silvana Thebaldi

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O Encontro

Escrevi esse conto há muitos anos. Já nem lembro. Para que o leitor tenha uma rápida ideia, tive que fazer algumas edições, como para mudar uma menção ao carro que o personagem comprara, então um Vectra... A menção a um mini system eu mantive, porque entra em uma lembrança do passado do narrador. E ao remexer meus arquivos, tentando fazer algo nesse período de isolamento por conta da pandemia, encontrei esse texto. Reli e resolvi que queria dividir com vocês. Espero que gostem. O ENCONTRO Marcamos encontro numa cafeteria elegante de um shopping center . É início de agosto e o inverno ainda nem terminou, mas já faz calor e o céu tem um azul incomum, de uma beleza ímpar, dessas que nos fazem pensar que os dias estão melhores e que a felicidade está bem ao nosso lado. Olho pela janela e tenho a impressão de que não sopra nem uma brisa. As árvores não balançam e por entre os carros, enquanto atravessa para o outro lado, um homem enxuga o suor com um lenço azul e olha...

Amor Vascaíno

            O som estridente do radinho de pilha podia ser ouvido de longe. A inconfundível voz de Jorge Curi conclamava as multidões a acompanhá-lo na Rádio Globo aquela tarde, mandando levarem o rádio ao estádio. Bida, assim, logo identificou onde procurar por seu avô. Do outro lado do muro baixo das ruas tranquilas, na calçada, provavelmente sentado na velha cadeira de armar com assento de lona azul, encosto de madeira e pernas enferrujadas. Seu pai pedira que o chamasse porque não queria que se atrasassem para a ida ao Maracanã. Havia pedido à mãe que servisse mais cedo o almoço. Naquele dia não bastaria chegar cedo, comprar os ingressos e subir a rampa que ficava próxima aos trilhos da rede ferroviária federal.         Abriu o portão e ali estava o avô, sozinho, cigarro apagado entre os dedos indicador e médio da mão distraída que envolvia, com os dedos restantes e a palma da mão, um copo de chá vazio. Olhou com carinho pa...

CONTANDO HISTÓRIAS: Valentina

Escrevi este miniconto após ler reportagem no Portal do TRT do Espírito Santo sobre entrevista concedida pela minha querida amiga Francisca Lacerda para o programa Nossa Memória, Nossa História, da TV Justiça capixaba, cujo tema é A Justiça do Trabalho nos anos 60. Francisca é desembargadora aposentada, escritora e poetisa, membro da Academia de Letras Humberto de Campos , de Vila Velha.  O miniconto se situa em 1968. Espero que gostem. VALENTINA Valentina acordou cedo, o que não era qualquer novidade. Diferente era aquela sensação de angústia. Levou um tempo para compreender e, só depois do café reforçado que fez para Valteir é que se deu conta... Nove meses. "Dava um filho", pensou. Estava sem receber seu salário há tanto tempo que já se acostumara. Mas naquele dia, não. Pensou no marido, se esforçando nas vendas da concessionária, pensou no casal de filhos cujas roupas começavam a puir pela falta de novas e resolveu que ia tomar uma atitude, Ah! se não ia! ...